terça-feira, 20 de julho de 2010

Só lo.

O que seria de mim sem o bom e velho rock’n’roll. Sou despertado por ele e vou dormir com ele. Isso quando não passo a noite inteira sonhando com o dito cujo. Já entrei nesse assunto antes, e para não voltar, vou apenas passar por cima. Mas é incrível como rotulam as coisas. É aquela velha mania de colocar nome aos burros. Se te pegam escutando um Iron Maiden, vixe Maria, já te chamam de moleque, adolescente. Aí você responde educadamente; sem fazer careta e dar beijo na testa de ninguém, porque até aí você não tem certeza de que a pessoa é uma completa idiota. Você acha que foi só um escorregãozinho e tenta um diálogo.
- Putz, cresci escutando Iron… Você nem termina a frase e a pessoa já emenda:
-
…não, se você ainda escuta, quer dizer que você ainda não cresceu! rá, rá.
Aí você já está completamente satisfeito com a descoberta de que a pessoa é completamente idiota, mesmo. Mais do que isso, é de uma imbecilidade tamanha que faz sombra no maior idiota do planeta.
Mas quer uma sugestão? Dê uma risada, aquela de lado e ignore. Ela vai tentar manter a idiotice, mas continue ignorando e apreciando o seu som que vale muito mais a pena.
Tudo bem, você acabou de se livrar de mais um idiota. Mas por mais que você não ligue para isso, sabe que te incomodou. Puxa, lógico que incomoda. Não porque as pessoas falam do que você escuta ou deixa de escutar, mas simplesmente por elas não terem criado um pingo de intimidade com este gênero musical e já saírem agredindo todo mundo. Aí, num outro dia, esse mesmo imbecil te pega escutando Mozart, pronto:

- Nossa!!! Agora sim, isso é que é música!

Mas dessa vez você tenta mostrar para o camaradinha que o heavy metal tem uma grande ligação com a música clássica. Tem alma, tem cultura, tem teoria. Diz para ele escutar Yngwie J. Malmsteen com a Orquestra Filarmônica de Tóquio e tentar deixar os “pré” conceitos de lado para simplesmente escutar um Dream Theater com seus álbuns conceituais, Gamma Ray com sua energia, AC/DC com sua sinergia, Van Halen com sua descontração, David Coverdale com sua poesia, e mais uma infinidade de paixões que marcam adolescentes como você, como tatuagens que não vão sair nunca.

Mostre para ele que você cresceu sim e que com você cresceu o amor pelo gênero. Que você conheceu e aprecia também a “boa música””. Que quando o garotão de roupas pretas, cabeludo e cheio de espinhas, cresce, ele pega tudo o que já viu com o que acabou de conhecer e se torna uma pessoa com uma sensibilidade maior.

É… sei lá. Acho que pode ser isso ou não, como diz Caetano Veloso, que por sinal é maravilho. A verdade é que não dá para explicar algo que se escuta com a alma. A explosão de emoções que o rock’n’roll gera no organismo. Acho que só se mantendo na adolescência para poder entender, mesmo.

Quer saber? Acho que viajei. Enquanto isso, fico aqui com meu solo.
Nem que seja "só lo".

domingo, 18 de julho de 2010

Óleo da Alma.

Quanto mais velho a gente vai ficando, mais pessoas duras a gente vai conhecendo. Pessoas que já viveram perdas e danos, que já não possuem mais aquela alma lúdica e sonhadora de quando eram mais novas.
Isso é comum, faz parte da vida, do conceito de que nada é para sempre, de que nem tudo é como a gente quer. Mas, mesmo sabendo disso, e muitas vezes – e se não todas elas – a gente se esquece e endurece. Não por nossa culpa, mas pela falta de óleo. Óleo? Sim, óleo.
Percebi que entre o corpo e a alma existe uma espécie de óleo. Um óleo que lubrifica a alma, fazendo com que ela se torne leve, livre e solta dentro das pessoas. Que aqui, podemos chamar de lágrima. E, quando nascemos, o nível desse óleo é tão alto que, no primeiro contato com a “vida”, podemos dizer até que, pela maneira que somos erguidos, esse óleo transborda.
Aí a gente chora. Chorando o excesso vai embora e, em alguns segundos, o nível do óleo está exatamente perfeito. Tudo pronto. Tudo lubrificado. Zero quilômetro.
O tempo vai passando e vamos aprendendo o que é certo e o que é errado. O que faz bem e o que faz mal. Mas ninguém, nem a babá, nem a titia, nem a mamãe e nem mesmo a vovó, absolutamente ninguém, foi capaz de nos explicar que algumas coisas que fazem bem têm uma enorme tendência ou probabilidade de fazer mal. Aí a gente chora.
O nível de óleo já não é mais como era antes e vai baixando. Conhecemos alguém, passamos algum tempo felizes da vida. Esse alguém vai embora. Aí a gente chora.
O óleo ainda mais baixo. A alma já encontra alguma dificuldade de se movimentar. Coração apertado. Alma apertada.
Um acontecimento bom, um nascimento, uma promoção no trabalho, um título conquistado. Alma forte, se balança lá dentro, mostra quem manda no pedaço. Mas não com tanta facilidade. Na seqüência, outra decepção amorosa, outra perda, mais um dano, uma desilusão, um parente que vai embora. Aí a gente chora.
Nem chora tanto, mesmo porque o óleo já está quase no fim. As “coisas da vida vão acontecendo”. Coisas boas, coisas ruins, coisas não tão boas, coisas piores ainda. Aí a gente já nem chora tanto.
A luzinha do óleo já acendeu e, por precaução, a gente já nem chora mais. Aí a gente vai ficando duro. A alma, por sua vez, faz uma força danada lá dentro e… nada. A gente endurece, endurece cada vez mais. Indiferente a tudo.
Mas a alma, que não é boba nem nada, sabendo que aquilo não é para sempre, se esforça ainda mais, se debatendo dentro do corpo duro e apertado, de carne e osso ressecados. Um corpo cheio de si, mesmo. Ela continua tentando mostrar que é a vida e é assim mesmo. Mas a gente nem tchum. Nem aí para o que pode ser ou para o que pode não ser. Chega uma hora que a alma se cansa e vai embora.
Aí ninguém chora.

Fixação.

O amor é besta. O amor que a gente acha que é amor é burro. É que nem barata tonta correndo de um lado para o outro sem saber para onde ir. Esperando a realização de uma fantasia criada por ela mesma. E que mesmo assim acredita ser real, algo de fora. Inconsciente.

Inconseqüente.

Faz a mente da gente ficar diferente.

Uma fixação descontrolada.

Deve vir no pacote da paixão.

Doença do coração.

Essa coisa que faz você baixar a cabeça e olhar para o centro do peito e pensar:

O que qui é isso aqui? Essa turbulência aqui dentro. Que esquenta o coração da gente?

Emoção.

Fecho os olhos e entro em meditação.

Que nada. Tudo imaginação.

Fixação.

Tento tirar com a mão.

Não tem solução.

Já ta aí dentro. Cresceu.

E agora? Dá muita bola não.

Que senão é que nem criança.

Vai querer chamar mais atenção.

Aí me vem uma gratidão.

Por sentir tal emoção.

Coisa assim tão difícil nesse mundo cão.

E tudo vira refrão.

Ou poesia do coração.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um lugar para mim na mesa das crianças, por favor.

Eu não acredito em nenhuma teoria sobre comportamento humano. Eu não tenho nenhum método para lidar com as pessoas. Eu não classifico Seres Humanos em grupos. Tudo o que eu acredito e sei fazer é aceitar as pessoas como elas são.

Acho que deve ser por isso que escuto tantas pessoas me dizendo para crescer. Mas ao invés de me sentir culpado ou pressionado pelo fato de ser assim, o sentimento que me vem é de pena da pessoa que me diz isso. Sabe por quê? Porque cedo ou tarde eles vão compreender que vivem em um parque de diversões. Mas aí, vai ser tarde demais.

Porque eu amo as crianças mais do que eu amo os adultos. Eu amo os adultos que se parecem com crianças. Eu amo os adultos que amam as crianças. Eu amo as crianças, quando adultas, voltam a ser crianças. Eu prefiro estar com as crianças do que estar com os adultos. E se você insistir em separar as crianças da mesa de jantar, reserve um lugar para mim na mesa das crianças.

As pessoas tem mania de insistir no conceito de que para ser responsável, necessariamente tem que ser uma pessoa séria e rabugenta. Que para ser respeitada tem que ser grossa e mal- humorada. Me poupe, vai. Sai daqui, e no caminho aproveita pra comprar um anti-ácido.

Repare quando uma pessoa que você conhece a pouco tempo, sem querer, num bar ou numa festa, ou em qualquer lugar, se mostra a pessoa que realmente é. Ou simplesmente solta uma "infantilidade" qualquer. Repare como essa pessoa se torna encantadora, sem ao menos se dar conta de que pode ser. Repare nisso.

E quem são esses idiotas para me mandar crescer? São infelizes dizendo para eles mesmos através de mim o quanto lamentam por terem perdido aquela criança dentro deles. São os mesmos idiotas que acham que você faz muita pergunta idiota. Com esses idiotas sou ainda mais idiota. Aí faço perguntas idiotas fora de hora, igualzinho criança. Pergunto o que ninguém tem coragem de perguntar. Respondo o que ninguém tem coragem de responder. Comento o que ninguém tem coragem de comentar. Aí olho bem pra cara dos idiotas e vejo a cara de idiota que os idiotas ficam. É o maior barato. Divertido mesmo, no duro.

Deus me ajude e nunca faça com que essa crianca que existe em mim cresça. Nunca. Mesmo porque, ainda tenho muito palhaçada para fazer, muitas risadas para arrancar dos rostos ranhosos desses idiotas e deixar muitas pessoas constrangidas com esse muleque que habita o meu ser. Falei muleque?!

E é melhor eu parar por aqui. Até porque, quem sou eu para dar conselhos ou qualquer coisa que o valha. Afinal, sou apenas uma criança, não é?

PS: Aqui vai uma diga para você responder para qualquer idiota que fizer a pergunta idiota para você crescer: feche os olhos e imagine a sua pior careta, no meu ponto de vista a melhor. Porque caretas deveriam ser matéria de faculdade e cair no vestibular. Tipo chamada oral, mas nesse caso, facial, ou qualquer coisa que o valha. Bom, aí abra os olhos, (pode ser vesgos ou não, mas de preferência que estejam) e solte a careta. Na sequência uma gargalhada e um beijo na testa do infeliz, ops... do idiota. Pronto.

No começo vai ser um pouco difícil, mas depois você se acostuma. Ou vai me dizer que você também é um idiota?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Troféu.


Isso é muito difícil para mim: encontrar as palavras certas para dizer. Tentar encontrar o caminho certo para seguir, mesmo sabendo que o melhor caminho é o mais assustador. Temos tumores enormes dentro do peito que vão crescendo cada vez que encontramos estes caminhos e principalmente por desviarmos deles. É preciso sofrer para amar senão não é amor. Mas quem quer sofrer? Galinha é assim: insiste no erro. Não aprende nunca. Mas também quem aprende? Ninguém sabe nada sobre isso. Só Afrodite. Mas acredite, todo mundo acredita nisso, cegamente vai em frente tentando encontrar. Procurando em todo lugar. Em cima, embaixo, de um lado e de outro. Desesperadamente sonham e imploram para santos e demônios o amor verdadeiro. Mas esse negócio de falar de amor é uma grande pieguisse. Um saco. Eles dizem que isso é algo que se sente. Outros que é algo imaginário. Os primeiros mais sorridentes que os outros, claro, torcem por eles. E a gente ouvindo de um lado, pensando do outro vai seguindo. Mas quando dá de cara com o negócio, perde as estribeiras. A maioria cai do cavalo. Mas preferem dizer que já viveram o lance e vivem agora acariciando as cicatrizes, mostrando para todo mundo como se fossem troféus. Mas todo mundo que já passou por isso sabe o que passou e sabe que passou. Aprendeu o que tinha que aprender. Tirou suas milhares de conclusões sobre o assunto, anos e anos até. Mas sabem exatamente onde estão e como são. Com certeza pessoas melhores. Um pouco mais duras, mas melhores.

domingo, 13 de junho de 2010

Grandhi.

“Quando me desespero, lembro que na história, o bem e o amor sempre vencem. Por mais que você ache que assassinos e tiranos nunca vão cair, no fim, o bem e o amor sempre vencem. Pense nisso. Sempre.”

Essa era a sua verdade, a verdade maior de Gandhi, ou Mabu (pai), como o chamavam. Meu Deus. Como é fascinante o que algumas pessoas fizeram nesse mundo para a gente se tocar. Só tive um conhecimento mais profundo sobre essa entidade, quando vi o seu filme e li o livro “Mahatma Gandhi” de Humberto Rohden. Foi quase uma overdose de semancol. Se toca meu. Me toquei, toquei a minha alma. Me argumentando sobre a minha vida. Nunca achei ser mais que alguém pela posição social, escolaridade ou qualquer outra vaidade. Mas é isso o que mais vejo por aí. Não que eu seja alguém com a posição de poder julgar alguém. Mas sempre procuro e me esforço bastante para olhar a vida e as pessoas com os olhos da alma. Por mais ignorante que a minha ainda seja, coitada. Mas vejo pessoas que colecionam frases, nomes e hábitos se rotulando melhores que outras com uma falsa intelectualidade irritante. Uma intelectualidade decorada, superficial. E o que a gente não vê? E o que está por trás desse rótulo? Será que há algo fascinante por trás disso? Lógico que há. O ser humano foi feito a Sua imagem e semelhança. Oras, como pode não existir fascínio nisso? Por que mudar essa imagem? Se cada um olhasse mais para si, se preocuparia menos com as vaidades, avarezas e se apaixonaria por possuir essa semelhança e procuraria fazer o que Ele nos ensinou fazer. Assim, acabariam as incessantes sessões nos consultórios psiquiátricos e psicanalíticos. Os suicídios dos que tiveram o prazo vencido da cola dos rótulos e se deram conta de que são iguaizinhos à moça do café, ao cobrador do ônibus, à caixa do supermercado, ao segurança da rua, ao porteiro do prédio, ao manobrista do restaurante, ao seu irmão. Rasgue o rótulo e deixe a fascinante pessoa que existe de verdade aí brilhar. E tenha certeza de que, se um dia você se desesperar, o bem e o amor sempre irão vencer. “Por mais que você ache que assassinos e tiranos nunca vão cair, tenha a convicção de que, no fim, o bem e o amor sempre vencem. Sempre.”

Pense nisso.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Xis ou ipsilon?


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E aí meu amiguinho de passagem pelo plano terrestre, tudo bem? Você se esqueceu um pouco de que estamos aqui por um tempo pequenininho, né? Tudo bem, é normal, a gente se esquece, mesmo. Muito trabalho, muitos compromissos, muita coisa para fazer. Faz parte da vida. O que não pode acontecer é a gente se esquecer da gente mesmo, né? De quem somos, ou melhor, do que somos. Quem é você? O fulano com o cargo tal da empresa xis?… tsc, tsc, tsc… Não, my friend. Você pode até achar que seja tal pessoa. Mas não é. Você é o que está dentro desse rótulo pelo qual se esforçou tanto para entrar. E dentro desse rótulo, ainda tem um outro feito de carne, que você também se esforçou bastante para entrar. Para chegar aqui e realizar. Fazer a coisa certa, o que programou lá atrás para fazer. Trabalhe, cresça e apareça. Tem que crescer na matéria, tem que fazer e acontecer, mesmo. Mas nunca se esqueça de quem você é, meu amigo. Nunca se esqueça de que você é ípsilon. Isso é o que você é e o que sempre vai ser. Um ipsilon num mundo de xis. Viva entre esse mundo, as vezes até se pareça com xis, passe-se por xis, mas não se torne um porque você não o é. Nunca se esqueça de quem você é, do que você é. Você é eterno, é imortal, é uma consciência encaixada num envólucro de carne por um período pequenininho. Tão pequeno que, opz, quando vir, já foi, já era, escafedeu-se. E o que vai ficar é o rótulo que você deixou para trás e que, logo, logo outro vai vestir antes mesmo do seu de carne esfriar. Afinal, alguém tem que cumprir aquele papel, né? O papel do tal do xis.