Ao som de http://www.myspace.com/olafurarnalds
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Me dá um abraço.
Ao som de http://www.myspace.com/olafurarnalds
terça-feira, 27 de julho de 2010
Então Fuma.
Sarcasticamente e um tando convencido, respondi certa vez, quando ainda fumava: Respeito? Quem fuma não respeita nem a si mesmo por fumar, quem diria aos outros. Rá-rá. Profundo não? Essa resposta bateu mais forte em mim do que na pessoa a quem respondi. A única coisa que bateu nela foi o bafo, mais nada. Mas em mim bateu tão fundo que até tossi.
Tudo bem, tudo bem. Nada que um susto não resolva, Deus me livre. Bati na madeira três vezes isolando qualquer possibilidade de algo desagradável acontecer. Porque de desagradável, basta o cigarro, né?
2) Faça uma mala bem grande, coloque no carro, escreva uma carta para os familiares dizendo que os ama muito e que ficará fora durante uns anos. Não esqueça das amantes.
3) Pare na primeira banca de jornal, compre um “Guia Montanhas Rochosas do Himalaia” ou Atalaia, sei lá, e siga em frente sem olhar para trás. Sem pensar em nada. Uma boa dica é fazer durante toda a viagem o mantra do indiozinho. Anote aí: “Um, dois, três indiozinhos. Quatro, cinco, seis indiozinhos. Sete, oito, nove indiozinhos. Todos no mesmo bote”. Sua cabeça vai querer encontrar alguma maneira de culpar ou falar mal de um dos indiozinhos por ter virado o bote ou coisa parecida. Mas não dê ouvidos. Se isso acontecer cante a dos “Sete Anões”, que não me lembro agora.
4) Chegando no pico da montanha mais alta que você encontrar, sua massa cinzenta vai virar uma pasta e depois uma rocha acinzentada. Fique aí o tempo que for necessário, até o momento em que seu corpo se encontrar totalmente adormecido pelo frio. Após este momento, seu cérebro já vai estar congelado e você vai entrar numa espécie de transe.
5) Pronto, você está curado para o resto da vida.
domingo, 25 de julho de 2010
Eu também.
Bem longe daqui, nos confins da grande metrópole, num barracão (que se apagássemos as luzes diriam que é abandonado), uma luz. Uma mulher com jeito de menina passa por mim tão rápido, mas que assim mesmo o tempo parecia passar em câmera lenta. Seus olhos brilhantes, seu sorriso maroto... o que aquele ser fazia num lugar como esse? Passei o resto da metade da noite entre batuques e olhares de várias mulheres que não os de mesmo brilho, nem sorriso. Onde estava? Continuei procurando, não mais com tanto afinco, mas meus olhos ligeiros mesmo sobre o efeito do álcool, procurava incessantemente. Finalmente eles acharam. Com uma "coragem" e determinação fui em direção daquela mulher como nunca havia tido na vida. Até porque, a timidez (ou será insegurança?) me impedem de tal iniciativa. Mas meus olhos tinham que ver o brilho dos olhos dela de novo. E bem de perto. Olhei, falei, sem saber o que falar, o encantamento era maior do que a razão. Meus olhos se fecharam e nossos lábios se tocaram com força e foi como se, no Saara, encontrasse uma garrafa d’água e bebesse sem derramar uma gota. Matei a sede de um carinho que quebrava qualquer barreira de tempo e de espaço. Como se o agora não existisse ou que o agora já tivesse acontecido. Não tem como explicar algo inexplicável. A energia ia além do beijo. Como se houvesse um acoplamento áurico perfeito entre a gente. E nem o ambiente, nem o álcool ou qualquer outra coisa parecia incomodar. Era puro. Era recíproco. Mas a vida nos dá alguns presentes e ao mesmo tempo ensina que ela é cheia de presentes, mas que, sua essência é a inconstância, a eterna transformação, mudança, passagem. Nos despedimos com o mesmo brilho nos olhos, só que intensificado. Sem palavras, que não conseguíamos descrever o ocorrido. Mas a dela selou o presente que qualquer homem como eu, descrente de amores puros, volta a crer. Ela olhou e disse: “eu também”.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A Chavezinha.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Só lo.
- Putz, cresci escutando Iron…
- …não, se você ainda escuta, quer dizer que você ainda não cresceu! rá, rá.
Aí você já está completamente satisfeito com a descoberta de que a pessoa é completamente idiota, mesmo. Mais do que isso, é de uma imbecilidade tamanha que faz sombra no maior idiota do planeta.
Mostre para ele que você cresceu sim e que com você cresceu o amor pelo gênero. Que você conheceu e aprecia também a “boa música””. Que quando o garotão de roupas pretas, cabeludo e cheio de espinhas, cresce, ele pega tudo o que já viu com o que acabou de conhecer e se torna uma pessoa com uma sensibilidade maior.
Quer saber? Acho que viajei. Enquanto isso, fico aqui com meu solo.
Nem que seja "só lo".
domingo, 18 de julho de 2010
Óleo da Alma.
Isso é comum, faz parte da vida, do conceito de que nada é para sempre, de que nem tudo é como a gente quer. Mas, mesmo sabendo disso, e muitas vezes – e se não todas elas – a gente se esquece e endurece. Não por nossa culpa, mas pela falta de óleo. Óleo? Sim, óleo.
Percebi que entre o corpo e a alma existe uma espécie de óleo. Um óleo que lubrifica a alma, fazendo com que ela se torne leve, livre e solta dentro das pessoas. Que aqui, podemos chamar de lágrima. E, quando nascemos, o nível desse óleo é tão alto que, no primeiro contato com a “vida”, podemos dizer até que, pela maneira que somos erguidos, esse óleo transborda.
Aí a gente chora. Chorando o excesso vai embora e, em alguns segundos, o nível do óleo está exatamente perfeito. Tudo pronto. Tudo lubrificado. Zero quilômetro.
O tempo vai passando e vamos aprendendo o que é certo e o que é errado. O que faz bem e o que faz mal. Mas ninguém, nem a babá, nem a titia, nem a mamãe e nem mesmo a vovó, absolutamente ninguém, foi capaz de nos explicar que algumas coisas que fazem bem têm uma enorme tendência ou probabilidade de fazer mal. Aí a gente chora.
O nível de óleo já não é mais como era antes e vai baixando. Conhecemos alguém, passamos algum tempo felizes da vida. Esse alguém vai embora. Aí a gente chora.
O óleo ainda mais baixo. A alma já encontra alguma dificuldade de se movimentar. Coração apertado. Alma apertada.
Um acontecimento bom, um nascimento, uma promoção no trabalho, um título conquistado. Alma forte, se balança lá dentro, mostra quem manda no pedaço. Mas não com tanta facilidade. Na seqüência, outra decepção amorosa, outra perda, mais um dano, uma desilusão, um parente que vai embora. Aí a gente chora.
Nem chora tanto, mesmo porque o óleo já está quase no fim. As “coisas da vida vão acontecendo”. Coisas boas, coisas ruins, coisas não tão boas, coisas piores ainda. Aí a gente já nem chora tanto.
A luzinha do óleo já acendeu e, por precaução, a gente já nem chora mais. Aí a gente vai ficando duro. A alma, por sua vez, faz uma força danada lá dentro e… nada. A gente endurece, endurece cada vez mais. Indiferente a tudo.
Mas a alma, que não é boba nem nada, sabendo que aquilo não é para sempre, se esforça ainda mais, se debatendo dentro do corpo duro e apertado, de carne e osso ressecados. Um corpo cheio de si, mesmo. Ela continua tentando mostrar que é a vida e é assim mesmo. Mas a gente nem tchum. Nem aí para o que pode ser ou para o que pode não ser. Chega uma hora que a alma se cansa e vai embora.
Aí ninguém chora.
Fixação.
O amor é besta. O amor que a gente acha que é amor é burro. É que nem barata tonta correndo de um lado para o outro sem saber para onde ir. Esperando a realização de uma fantasia criada por ela mesma. E que mesmo assim acredita ser real, algo de fora. Inconsciente.
Inconseqüente.
Faz a mente da gente ficar diferente.
Uma fixação descontrolada.
Deve vir no pacote da paixão.
Doença do coração.
Essa coisa que faz você baixar a cabeça e olhar para o centro do peito e pensar:
O que qui é isso aqui? Essa turbulência aqui dentro. Que esquenta o coração da gente?
Emoção.
Fecho os olhos e entro em meditação.
Que nada. Tudo imaginação.
Fixação.
Tento tirar com a mão.
Não tem solução.
Já ta aí dentro. Cresceu.
E agora? Dá muita bola não.
Que senão é que nem criança.
Vai querer chamar mais atenção.
Aí me vem uma gratidão.
Por sentir tal emoção.
Coisa assim tão difícil nesse mundo cão.
E tudo vira refrão.
Ou poesia do coração.