quinta-feira, 29 de julho de 2010

Me dá um abraço.

Gostaria de entender melhor as coisas. De um jeito melhor, sabe? Gostaria de entender o significado de cada dia, de cada “toque“ que a vida dá. Ah, se soubesse decifrar. Ou se, pelo menos, tivesse um pouco mais de percepção para isso. Mas até lá vou sentindo. Deixando que a vida me emocione em todos os seus sentidos. Até lá vou sentindo e fazendo os outros sentirem. Por algum motivo, já percebi que não passo mais pelas pessoas como passava antigamente. Bom, para elas eu simplesmente passo. Mas para mim, é diferente. É como se eu passasse e uma outra parte de mim, a melhor parte, abraçasse quem eu passei. Assim tenho uma sensação gostosa de como se me tornasse parte de tudo. Isso me faz bem. E assim não preciso sair abraçando todo mundo que encontro pela frente, evitando tomar alguns tabefes ou mesmo parar num manicômio. Mas nem sempre é tão simples assim. Tem gente que se incomoda com isso. Que se incomoda com a energia dos outros. Mesmo que nunca tenha tocado a pessoa, mas sinto que incomoda. Que não é bem vinda. Isso me entristece. Saber que a pessoa não gosta de ser abraçada, mesmo assim, invisivelmente. Paro de abraçar, e abraço mais forte outras pessoas. Mas quem dera poder abraçar todo mundo. Ou andar na rua e sentir milhões de abraços por onde passo. Imagina que delícia andar numa calçada movimentada e pessoas que a gente nunca viu na frente te dar um abraço. Seria realmente inspirador. E o mais fascinante de tudo isso é, antes do abraço, procurar os olhos dessa pessoa e olhar bem fundo como se estivesse dizendo um oi. Difícil é encontrar esses olhos. A maioria das pessoas anda olhando para baixo. Como se procurasse alguma coisa. Prefiro andar olhando para cima sem procurar nada. Tomo alguns tropeções a mais, mas prefiro assim. Prefiro até sentir agora ao invés de entender. Um dia irei entender. Por enquanto, vou sentindo. E abraçando. E olhando para cima. E tropeçando. Mas abraçando. Por enquanto. Como estou fazendo com você agora.

Ao som de http://www.myspace.com/olafurarnalds

terça-feira, 27 de julho de 2010

Então Fuma.

Cigarro. Ô droguinha miserável e repugnante, não? Não tem coisa pior que o cigarro. O problema é do cigarro, não de quem fuma o cigarro. Quem fuma o bendito são vítimas dele. Sofredores e súditos desse terrível hábito. Vai fazer o quê? Se matar? Pra quê? Já tá se matando mesmo. E o pior é que sabe disso e finge que não sabe. Entre uma baforada e outra ignora a real possibilidade de estar desenvolvendo um câncer ou qualquer outra coisa que o valha. O mais engraçado é que a pessoa dominada por ela acha que é o senhor dos anés. Fica soltando aneizinhos de fumaça por todos os lados, em todo o lugar, e o que é pior, na cara dos outros. Se achando. Aí chega alguém e diz: Você não tem respeito, não? Seu fedorento! Na maioria das vezes, nós os fumantes, ouvimos isso com os olhos, as pessoas nem chegam a dizer e a gente já escuta.
Sarcasticamente e um tando convencido, respondi certa vez, quando ainda fumava: Respeito? Quem fuma não respeita nem a si mesmo por fumar, quem diria aos outros. Rá-rá. Profundo não? Essa resposta bateu mais forte em mim do que na pessoa a quem respondi. A única coisa que bateu nela foi o bafo, mais nada. Mas em mim bateu tão fundo que até tossi.

Tudo bem, tudo bem. Nada que um susto não resolva, Deus me livre. Bati na madeira três vezes isolando qualquer possibilidade de algo desagradável acontecer. Porque de desagradável, basta o cigarro, né?
Mas cá entre nós. Existe uma droga muito pior que a do cigarro e que todo mundo usa e nem se quer sabe ou admite que usa: a fofoca. Ou as más línguas ou chame do que você quiser, mas que você é um usuário em potencial, isso é. Basta uma mesinha e duas pessoas e pronto. Entre um assunto desinteressante e outro, um dos dois consegue falar mal de alguém. Muitas vezes até disputam inconscientemente quem vai começar primeiro . As vezes demora um pouco para que o melhor assunto - a fofoca - entre em pauta. Do contrário já se nota os primeiros sinais de abstinência. O sujeito começa a se mexer na cadeira, a suar, a balançar as pernas, toma um gole do chopp e olha para um lado, para o outro, chega até a ignorar a morena da mesa ao lado lançando olhares para ele. Tão grande seu vício. Aí ele alcança o extremo da falta da droga e, quase num tom gritado diz: Puta que pariu!!! Que bosta de chopp! Será que não tem nenhum imbecil de um garçom nessa budéga? Fala sério Arnaldo. Parece aquela velha megera do escritório… Pronto, conseguiu, é como se a droga tivesse tomado conta de todo o seu corpo. Ele já se sente mais relaxado. O chopp já está uma delícia e até dá uma gorjetinha para o graçom e o chama de “meu camarada”. Seu amigo, ou quem estiver na mesa já instintivamente, para o que está fazendo e vira-se para o traficante, que distribui a droga e todos começam a consumi-la. Todos na mesa estão viajando. Muito louca a deliciosa droga das más línguas, ou da fofoca, ou do que você quiser chamar.
Todo mundo já usou esta droga ou pelo menos experimentou. Eu mesmo já usei. Vira e mexe me pego dando uns tapinhas. Mas quando me dou conta já estou completamente envolvido pelo veneno.
Mas se você é usuário e pretende largar esse vício ou simplismente fazer uma espécie de desintoxicação temporária, existe uma única saída:

1)
Dirija-se ao seu chefe e, preste muita atenção nos seus pensamento, normalmente eles vão estar liberando a droga com idéias do tipo: “Não acredito que vou ter que ver logo cedo a cara desse imbecil do meu chefe”. Mas fique firme e, no caminho pense em coisas leves como a minisaia da estagiária, por exemplo. Chegando na sala do chefe, bata delicadamente três vezes na porta e com um largo sorriso, agradeça o tempo de trabalho e peça umas férias.

2)
Faça uma mala bem grande, coloque no carro, escreva uma carta para os familiares dizendo que os ama muito e que ficará fora durante uns anos. Não esqueça das amantes.

3)
Pare na primeira banca de jornal, compre um “Guia Montanhas Rochosas do Himalaia” ou Atalaia, sei lá, e siga em frente sem olhar para trás. Sem pensar em nada. Uma boa dica é fazer durante toda a viagem o mantra do indiozinho. Anote aí: “Um, dois, três indiozinhos. Quatro, cinco, seis indiozinhos. Sete, oito, nove indiozinhos. Todos no mesmo bote”. Sua cabeça vai querer encontrar alguma maneira de culpar ou falar mal de um dos indiozinhos por ter virado o bote ou coisa parecida. Mas não dê ouvidos. Se isso acontecer cante a dos “Sete Anões”, que não me lembro agora.

4)
Chegando no pico da montanha mais alta que você encontrar, sua massa cinzenta vai virar uma pasta e depois uma rocha acinzentada. Fique aí o tempo que for necessário, até o momento em que seu corpo se encontrar totalmente adormecido pelo frio. Após este momento, seu cérebro já vai estar congelado e você vai entrar numa espécie de transe.

5)
Pronto, você está curado para o resto da vida.

Nunca mais vai falar mal de ninguém. Não que não venham a falar mal de você. Até porque, a frequência de pessoas falando mal de você vai dimuniundo de acordo com o tempo de sua ausência. Em média, dura dois anos e meio ou mais até as pessoas esquecerem o inútil que você foi. Ou que pelo menos elas achavam que você era. Abro um parênteses: no caso dos casados, a frequência das pessoas falando mal de você, no caso sua mulher, pode durar a vida inteira ou até outras. Fecho o parênteses.


Conclusão: é incalculavelmente mais fácil largar de fumar do que deixar de falar mal dos outros.
Eu? Parei de fumar.

domingo, 25 de julho de 2010

Eu também.

Bem longe daqui, nos confins da grande metrópole, num barracão (que se apagássemos as luzes diriam que é abandonado), uma luz. Uma mulher com jeito de menina passa por mim tão rápido, mas que assim mesmo o tempo parecia passar em câmera lenta. Seus olhos brilhantes, seu sorriso maroto... o que aquele ser fazia num lugar como esse? Passei o resto da metade da noite entre batuques e olhares de várias mulheres que não os de mesmo brilho, nem sorriso. Onde estava? Continuei procurando, não mais com tanto afinco, mas meus olhos ligeiros mesmo sobre o efeito do álcool, procurava incessantemente. Finalmente eles acharam. Com uma "coragem" e determinação fui em direção daquela mulher como nunca havia tido na vida. Até porque, a timidez (ou será insegurança?) me impedem de tal iniciativa. Mas meus olhos tinham que ver o brilho dos olhos dela de novo. E bem de perto. Olhei, falei, sem saber o que falar, o encantamento era maior do que a razão. Meus olhos se fecharam e nossos lábios se tocaram com força e foi como se, no Saara, encontrasse uma garrafa d’água e bebesse sem derramar uma gota. Matei a sede de um carinho que quebrava qualquer barreira de tempo e de espaço. Como se o agora não existisse ou que o agora já tivesse acontecido. Não tem como explicar algo inexplicável. A energia ia além do beijo. Como se houvesse um acoplamento áurico perfeito entre a gente. E nem o ambiente, nem o álcool ou qualquer outra coisa parecia incomodar. Era puro. Era recíproco. Mas a vida nos dá alguns presentes e ao mesmo tempo ensina que ela é cheia de presentes, mas que, sua essência é a inconstância, a eterna transformação, mudança, passagem. Nos despedimos com o mesmo brilho nos olhos, só que intensificado. Sem palavras, que não conseguíamos descrever o ocorrido. Mas a dela selou o presente que qualquer homem como eu, descrente de amores puros, volta a crer. Ela olhou e disse: “eu também”.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Chavezinha.

A vida é engraçada. Faz tudo direitinho para te pegar de jeito. Para colocar você naquelas situações que você não quer estar. Não adianta. Quando você vê, pronto, a situação tá ali, bem na sua fuça. E com ela vem a emoção. Vem o sentimento. Que explode no peito balançando você de um lado para o outro. Te tirando do centro, mesmo. É aí que entra tudo o que você praticou e aprendeu sobre auto-conhecimento. Porque não adianta nada a vida te colocar numa situação se você nem mesmo percebe a situação. Se nem mesmo percebe a lição. Ali na sua frente para você olhar. Respeitar, encarar, sentir tudinho. Como se você bebesse uma garrafa de água fresquinha num dia quente. Até a última gota. Mas para você perceber, tem que estar presente. Tem que estar ligeiro, ligado. E a gente só afina esse “estar ligado” com muito estudo e prática. Meditação. Demorei muito para perceber o benefício real dessa técnica milenar. Ela te traz uma lucidez muito clara. E não é sobre essas coisas esotéricas que vem junto no pacote, tando das escolas quanto dos pré-conceitos das pessoas sobre o assunto. E sem falar nas viajadas na maionese que a maioria faz sobre o assunto. Nada disso. Mas a real é que ela te dá um milésimo de segundo entre uma escolha e outra. É mais ou menos assim ó: a vida chega e te coloca numa situação. Essa situação causa um sentimento em você. Esse sentimento te leva a uma ação. E é aqui que o troço pega. Porque, na maioria das vezes, essa ação, esse impulso que a gente tem, é de onde sai a maioria das nossas cagadas. Desculpem o palavriado, mas é isso mesmo. São nesses impulsos imediatos que fazemos as escolhas erradas. As escolhas que a gente vem fazendo a muito tempo. Mas só que não percebemos. Aí toca vir fulana na sua orelha e diz: “Porque isso sempre acontece comigo? Sou azarada”. Ou, “Os homens são todos iguais, mesmo.” E mais um monte de babaquices que você já sabe e também fala. E eu também, viu? Mas tudo isso é o resultado desses impulsos que a gente tem quando uma situação aparece na nossa frente. E esses impulsos são padrões que ficam enraizados na gente. E se repetem sempre e sempre. Mas como somos espertalhões, achamos que a culpa é sempre de quem? Do outro, lógico. Que está lá fora e que não temos nada a ver com isso. Tsc, tsc, tsc... sinto muito dizer, filhote, mas és tu o culpado das coisas se repetirem na sua vida. São aquelas escolhas feitas por impulso, quase inconsciente, que você teima em fazer a sua vida inteira. E eu também, e todo mundo. Fica tranquilo que você não tá sozinho, não. Mas onde quero chegar, pelo menos na minha percepção, é que a meditação criou em mim - e por favor, não me pergunte como – um “espaço” entre a emoção que a situação traz e o impulso da reação, o padrão. E só percebi isso quando, no momento que já havia feito a escolha por impulso, foi como se eu estivesse fora de mim, olhando a escolha sendo feita e a ação sendo executada. Deu para entender? Calma, vou tentar explicar melhor. Você viu o filme Prince of Persia? Então, sabe o momento em que ele aciona o punhal e volta alguns segundos no tempo e observa a situação rolando com ele? Pois é. É bem isso que acontece. É como se você pudesse se observar tomando uma decisão. Ou como se pudesse perceber o impulso chegando antes de você dar vazão a ele. E isso é muito importante. Porque é esse o verdadeiro significado do auto-conhecimento. É essa percepção que faz você se conhecer. Saber como funciona esse mecanismo que a gente tem dentro da gente e que está ligado no automático. E o grande segredo é sair do automatismo. Ficar mais lúcido das escolhas e atitudes que a gente toma na vida. Se é difícil? Pra burro. É muito difícil, porque exige disciplina, prática, muito estudo e dedicação. Porque não é só chegar e mudar a chavezinha do “auotmático” para o “manual”. Primeiro você tem que descobrir onde está a chavezinha. E aí vai a dica: Está aí dentro de você.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Só lo.

O que seria de mim sem o bom e velho rock’n’roll. Sou despertado por ele e vou dormir com ele. Isso quando não passo a noite inteira sonhando com o dito cujo. Já entrei nesse assunto antes, e para não voltar, vou apenas passar por cima. Mas é incrível como rotulam as coisas. É aquela velha mania de colocar nome aos burros. Se te pegam escutando um Iron Maiden, vixe Maria, já te chamam de moleque, adolescente. Aí você responde educadamente; sem fazer careta e dar beijo na testa de ninguém, porque até aí você não tem certeza de que a pessoa é uma completa idiota. Você acha que foi só um escorregãozinho e tenta um diálogo.
- Putz, cresci escutando Iron… Você nem termina a frase e a pessoa já emenda:
-
…não, se você ainda escuta, quer dizer que você ainda não cresceu! rá, rá.
Aí você já está completamente satisfeito com a descoberta de que a pessoa é completamente idiota, mesmo. Mais do que isso, é de uma imbecilidade tamanha que faz sombra no maior idiota do planeta.
Mas quer uma sugestão? Dê uma risada, aquela de lado e ignore. Ela vai tentar manter a idiotice, mas continue ignorando e apreciando o seu som que vale muito mais a pena.
Tudo bem, você acabou de se livrar de mais um idiota. Mas por mais que você não ligue para isso, sabe que te incomodou. Puxa, lógico que incomoda. Não porque as pessoas falam do que você escuta ou deixa de escutar, mas simplesmente por elas não terem criado um pingo de intimidade com este gênero musical e já saírem agredindo todo mundo. Aí, num outro dia, esse mesmo imbecil te pega escutando Mozart, pronto:

- Nossa!!! Agora sim, isso é que é música!

Mas dessa vez você tenta mostrar para o camaradinha que o heavy metal tem uma grande ligação com a música clássica. Tem alma, tem cultura, tem teoria. Diz para ele escutar Yngwie J. Malmsteen com a Orquestra Filarmônica de Tóquio e tentar deixar os “pré” conceitos de lado para simplesmente escutar um Dream Theater com seus álbuns conceituais, Gamma Ray com sua energia, AC/DC com sua sinergia, Van Halen com sua descontração, David Coverdale com sua poesia, e mais uma infinidade de paixões que marcam adolescentes como você, como tatuagens que não vão sair nunca.

Mostre para ele que você cresceu sim e que com você cresceu o amor pelo gênero. Que você conheceu e aprecia também a “boa música””. Que quando o garotão de roupas pretas, cabeludo e cheio de espinhas, cresce, ele pega tudo o que já viu com o que acabou de conhecer e se torna uma pessoa com uma sensibilidade maior.

É… sei lá. Acho que pode ser isso ou não, como diz Caetano Veloso, que por sinal é maravilho. A verdade é que não dá para explicar algo que se escuta com a alma. A explosão de emoções que o rock’n’roll gera no organismo. Acho que só se mantendo na adolescência para poder entender, mesmo.

Quer saber? Acho que viajei. Enquanto isso, fico aqui com meu solo.
Nem que seja "só lo".

domingo, 18 de julho de 2010

Óleo da Alma.

Quanto mais velho a gente vai ficando, mais pessoas duras a gente vai conhecendo. Pessoas que já viveram perdas e danos, que já não possuem mais aquela alma lúdica e sonhadora de quando eram mais novas.
Isso é comum, faz parte da vida, do conceito de que nada é para sempre, de que nem tudo é como a gente quer. Mas, mesmo sabendo disso, e muitas vezes – e se não todas elas – a gente se esquece e endurece. Não por nossa culpa, mas pela falta de óleo. Óleo? Sim, óleo.
Percebi que entre o corpo e a alma existe uma espécie de óleo. Um óleo que lubrifica a alma, fazendo com que ela se torne leve, livre e solta dentro das pessoas. Que aqui, podemos chamar de lágrima. E, quando nascemos, o nível desse óleo é tão alto que, no primeiro contato com a “vida”, podemos dizer até que, pela maneira que somos erguidos, esse óleo transborda.
Aí a gente chora. Chorando o excesso vai embora e, em alguns segundos, o nível do óleo está exatamente perfeito. Tudo pronto. Tudo lubrificado. Zero quilômetro.
O tempo vai passando e vamos aprendendo o que é certo e o que é errado. O que faz bem e o que faz mal. Mas ninguém, nem a babá, nem a titia, nem a mamãe e nem mesmo a vovó, absolutamente ninguém, foi capaz de nos explicar que algumas coisas que fazem bem têm uma enorme tendência ou probabilidade de fazer mal. Aí a gente chora.
O nível de óleo já não é mais como era antes e vai baixando. Conhecemos alguém, passamos algum tempo felizes da vida. Esse alguém vai embora. Aí a gente chora.
O óleo ainda mais baixo. A alma já encontra alguma dificuldade de se movimentar. Coração apertado. Alma apertada.
Um acontecimento bom, um nascimento, uma promoção no trabalho, um título conquistado. Alma forte, se balança lá dentro, mostra quem manda no pedaço. Mas não com tanta facilidade. Na seqüência, outra decepção amorosa, outra perda, mais um dano, uma desilusão, um parente que vai embora. Aí a gente chora.
Nem chora tanto, mesmo porque o óleo já está quase no fim. As “coisas da vida vão acontecendo”. Coisas boas, coisas ruins, coisas não tão boas, coisas piores ainda. Aí a gente já nem chora tanto.
A luzinha do óleo já acendeu e, por precaução, a gente já nem chora mais. Aí a gente vai ficando duro. A alma, por sua vez, faz uma força danada lá dentro e… nada. A gente endurece, endurece cada vez mais. Indiferente a tudo.
Mas a alma, que não é boba nem nada, sabendo que aquilo não é para sempre, se esforça ainda mais, se debatendo dentro do corpo duro e apertado, de carne e osso ressecados. Um corpo cheio de si, mesmo. Ela continua tentando mostrar que é a vida e é assim mesmo. Mas a gente nem tchum. Nem aí para o que pode ser ou para o que pode não ser. Chega uma hora que a alma se cansa e vai embora.
Aí ninguém chora.

Fixação.

O amor é besta. O amor que a gente acha que é amor é burro. É que nem barata tonta correndo de um lado para o outro sem saber para onde ir. Esperando a realização de uma fantasia criada por ela mesma. E que mesmo assim acredita ser real, algo de fora. Inconsciente.

Inconseqüente.

Faz a mente da gente ficar diferente.

Uma fixação descontrolada.

Deve vir no pacote da paixão.

Doença do coração.

Essa coisa que faz você baixar a cabeça e olhar para o centro do peito e pensar:

O que qui é isso aqui? Essa turbulência aqui dentro. Que esquenta o coração da gente?

Emoção.

Fecho os olhos e entro em meditação.

Que nada. Tudo imaginação.

Fixação.

Tento tirar com a mão.

Não tem solução.

Já ta aí dentro. Cresceu.

E agora? Dá muita bola não.

Que senão é que nem criança.

Vai querer chamar mais atenção.

Aí me vem uma gratidão.

Por sentir tal emoção.

Coisa assim tão difícil nesse mundo cão.

E tudo vira refrão.

Ou poesia do coração.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um lugar para mim na mesa das crianças, por favor.

Eu não acredito em nenhuma teoria sobre comportamento humano. Eu não tenho nenhum método para lidar com as pessoas. Eu não classifico Seres Humanos em grupos. Tudo o que eu acredito e sei fazer é aceitar as pessoas como elas são.

Acho que deve ser por isso que escuto tantas pessoas me dizendo para crescer. Mas ao invés de me sentir culpado ou pressionado pelo fato de ser assim, o sentimento que me vem é de pena da pessoa que me diz isso. Sabe por quê? Porque cedo ou tarde eles vão compreender que vivem em um parque de diversões. Mas aí, vai ser tarde demais.

Porque eu amo as crianças mais do que eu amo os adultos. Eu amo os adultos que se parecem com crianças. Eu amo os adultos que amam as crianças. Eu amo as crianças, quando adultas, voltam a ser crianças. Eu prefiro estar com as crianças do que estar com os adultos. E se você insistir em separar as crianças da mesa de jantar, reserve um lugar para mim na mesa das crianças.

As pessoas tem mania de insistir no conceito de que para ser responsável, necessariamente tem que ser uma pessoa séria e rabugenta. Que para ser respeitada tem que ser grossa e mal- humorada. Me poupe, vai. Sai daqui, e no caminho aproveita pra comprar um anti-ácido.

Repare quando uma pessoa que você conhece a pouco tempo, sem querer, num bar ou numa festa, ou em qualquer lugar, se mostra a pessoa que realmente é. Ou simplesmente solta uma "infantilidade" qualquer. Repare como essa pessoa se torna encantadora, sem ao menos se dar conta de que pode ser. Repare nisso.

E quem são esses idiotas para me mandar crescer? São infelizes dizendo para eles mesmos através de mim o quanto lamentam por terem perdido aquela criança dentro deles. São os mesmos idiotas que acham que você faz muita pergunta idiota. Com esses idiotas sou ainda mais idiota. Aí faço perguntas idiotas fora de hora, igualzinho criança. Pergunto o que ninguém tem coragem de perguntar. Respondo o que ninguém tem coragem de responder. Comento o que ninguém tem coragem de comentar. Aí olho bem pra cara dos idiotas e vejo a cara de idiota que os idiotas ficam. É o maior barato. Divertido mesmo, no duro.

Deus me ajude e nunca faça com que essa crianca que existe em mim cresça. Nunca. Mesmo porque, ainda tenho muito palhaçada para fazer, muitas risadas para arrancar dos rostos ranhosos desses idiotas e deixar muitas pessoas constrangidas com esse muleque que habita o meu ser. Falei muleque?!

E é melhor eu parar por aqui. Até porque, quem sou eu para dar conselhos ou qualquer coisa que o valha. Afinal, sou apenas uma criança, não é?

PS: Aqui vai uma diga para você responder para qualquer idiota que fizer a pergunta idiota para você crescer: feche os olhos e imagine a sua pior careta, no meu ponto de vista a melhor. Porque caretas deveriam ser matéria de faculdade e cair no vestibular. Tipo chamada oral, mas nesse caso, facial, ou qualquer coisa que o valha. Bom, aí abra os olhos, (pode ser vesgos ou não, mas de preferência que estejam) e solte a careta. Na sequência uma gargalhada e um beijo na testa do infeliz, ops... do idiota. Pronto.

No começo vai ser um pouco difícil, mas depois você se acostuma. Ou vai me dizer que você também é um idiota?