segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Pipoca com Sangue.
Estamos mergulhados em sangue até o pescoço. E a cabeça? Não sei aonde foi parar. Procure um pouco mais pra frente que a pancada foi violenta. Você precisava ver.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Corre.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Péga, Rex.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Melhor, talvez.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Nada.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Dá um tempo.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Vai doer.
Está tudo perfeito. Sol batendo suavemente na pele. Crianças sorrindo em plena harmonia com os pais em um parque belíssimo. Uma harmonia pura e imaculada em cada pedaço verde de lá. Meu corpo estático. Minha respiração pequena debaixo de uma grande árvore. Coluna ereta. Dela sai uma raiz profunda abraçando a terra. Sugando o néctar da energia telúrica que sobe e se concentra no meio do meu peito. Do topo da minha cabeça também desce o prana como se ela estivesse enterrada no céu. E a raiz agora da energia cósmica nutre minha glândula pineal que se acende e impulsiona essa energia também para o meio do meu peito. Então sinto o Grande Espírito em mim. Manitu. Fico assim. Sem pensar. Apenas sendo isso. E aquilo. Tudo. A criança. Sinto sua respiração em mim. Sinto os músculos do seu pequeno corpo se contraírem para segurar a balança. O aço gelado da corrente da balança na palma das suas mãos. Sou o sorriso do pai vendo aquilo. Sou a criança. Sou o pai. Sou a grama. Sou nada. Fico minúsculo quando percebo o espaço. Como se uma câmera de mim subisse para bem alto. Meu Deus. Não sei se aguento. Calma, ainda não. Falta maturidade para sentir algo desse tamanho. Gratidão. Uma gratidão me envolve e fico só nisso. Me sinto pequeno, muito pequeno. E nessa pequinez me entrego, me ajoelha e agradeço. A tudo. Ao que eu nem sei direito o que é. Mas sinto. E percebo a grandiosidade da coisa. Sei que é algo que minha mente analítica não tem capacidade de entender ainda. Minhas pernas doem por falta da circulação. Tento manter minha conscência onde estava. Mas é impossível. Ela está no meu corpo agora. No “meu” corpo. Identificação. Ego. Eu. Estou de volta. Mas diferente. Algo grande nesse peito pequeno. Abro os olhos. Vejo as crianças brincando no parque lá na frente. Uma mulher correndo. O sol batendo na grama. Tudo perfeito. Descruzo minhas pernas com as mãos. Elas estão dormentes. Uma hora. Perco a noção do tempo em que estive ali. Espero a circulação voltar as pernas. Sinto uma dor muito grande quando isso acontece. Me acostumei com ela. Me levanto e vou caminhando em direção a bicicleta. Minha percepção ainda está dilatada. Ainda em expansão. Observando. Um sentimento grande no peito. Diferente. Estou bem. Muito bem. Mas não sinto a felicidade que normalmente sinto quando tenho a sorte de uma experiência assim. Então me aproximo um pouco mais daqueles pais e crianças no parque. Passo por eles. Meu peito se aperta. Muito apertado. E escuto dentro de mim: vai doer. Meu peito se aperta ainda mais. Não consigo controlar a emoção. Como assim vai doer? Está tudo lindo, tudo perfeito. A voz dentro de mim se repete: vai doer. Meus olhos correm rapidamente para as pessoas, as crianças, os sorrisos. Seguro um pouco. Pessoas olham para mim. Olho para o chão escondendo as lágrimas. Pego minha bicicleta e corro para o meio do parque o mais longe possível das pessoas. Por que vai doer? Pergunto dentro de mim. E a resposta vem em seguida. Sem dó: uma hora vai doer. O pai vai perder o filho. O filho vai perder o pai. A perda. A doença. A morte. Porque tem que ser assim? Insisto agora já soluçando. Uma imagem preenche minha tela mental. Shiva. O transformador. Despenco na grama em um choro copioso. Profundo. Muita dor. Deito de costas na grama. Aperto a terra com as mãos. Olha as nuvens e não entendo porque estou chorando desse jeito. Porque está doendo tanto? Eu sabia que não ai aguentar. Por que estou chorando assim? Não escuto nada. Mais nada. Deixo a última gota dessa dor se esvair totalmente de mim. Enxugo os olhos e procuro não olhar para mais ninguém. Apenas deixo aquilo tudo se aquietar dentro do meu peito. Dentro de minha alma. O que foi aquilo? No caminho para casa vejo um homem fora do carro. Meus olhos se encontram com os dele. Ele pede ajuda. Eu escuto através dos seus olhos. Tenho que ir para casa. Impossível ignorar. Volto e empurro seu carro. Saio. Chego finalmente em casa. Encontro minha amiga. Pergunto para ela o que foi aquilo. Ela me responde. “Foi a dor do mundo”. O que? “Você sentiu a dor do mundo Leandro”. Então uma sucessão de imagens e textos de alguns dos milhares de livros que já li fizeram sentido naquele momento. Meus Deus. Então é isso. Aí finalmente compreendi, não com a mente, mas com a alma a frase do Budha que diz o seguinte: “Abaixo a iluminação só existe dor”.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Filmão.
É mais ou menos assim: se sua vida está desmoronando, não adianta ficar tentando segurar os muros que você vai se machucar. Também não adianta ficar embaixo se fazendo de vítima que o muro vai cair na sua cabeça e, além de você se machucar, vai dar um trabalhão danado para outras pessoas tirarem você de lá de baixo. O lance é dançar sobre os escombros, desviar dos muros e observar o que se vai e o que se fica. E depois ver com calma, confiando no diretor o que se pode construir ali. Ou mesmo nem construir nada, quem disse também que algo tem que ser construido, ali? A idéia é observar de fora se preocupando não com o muro que está caindo. Mas sim com a própria cabeça. E só depois ver o que se pode fazer disso tudo.
E, então, vamos olhar de longe e dançar sobre os escombros da vida ou ficar embaixo se fazendo de vítima, esperando o muro cair na nossa cabeça?
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Uma experiência meditativa.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Quero um Samadhi.
Para além de mim mesmo.
Além do além.
Onde o tempo não tem fim, e o sentimento seja bem assim: supremo.
Quero plainar sobre os campos com os serafins.
Cantando a melodia do bem.
Com o coração do tamanho do vento.
E ficar assim sem parar,
sem medo de voltar,
sem me preocupar,
sem receio de falhar.
Sentindo o vento no rosto,
enxugando as lágrimas da emoção,
acariciando mais e mais meu coração.
Quero sentir o peito inchado como um balão.
As mãos doendo de tanta pressão.
Olhando de olhos fechados o mundo real.
Rasgando maya ao meio para nunca mais voltar.
Mas sei que depois disso tenho que voltar.
A vontade é de ficar.
Porque em casa é onde quero estar.
Mas sei que cada volta é melhor do que qualquer ida.
Porque volto melhor do que fui.
E assim vai.
Aprendendo com o coração na mão.
Envolto pela luz da emoção.
Quero voar. Ah, como quero voltar a voar.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Eu, eu mesmo e a idade.
Putz, acho que estou ficando velho. Que velho que nada, ô. Você tá é bobo. Mas chego na academia e me chamam de vovozinho. Tenho até três amigas na hidroterapia que estou quase marcando um chá pra sábado à tarde. A caçula tem 89 anos. Meus amigos me chamam de vovó. Meu joelho dói. Meu ombro dói. Pensei em até comprar um carro de velho. Aquelas barcas, sabe? Tenho um. E se saio durante a semana não acordo na manhã seguinte. Se acordo, parece que peso uns 480 quilos. Se tomo meia dúzia de cervejas, ponho tudo pra fora. Meu fígado quer morrer. Bom, pelo menos ainda não me chamaram de Hugo. Depois fico assim, como um urso saindo do período de hibernação, o dia inteiro. Se tomo uma xícara de café antes de dormir, fico fritando na cama até as 5 da madruga. Tenho até vergonha de falar pro meu irmão – que dorme de dia e trabalha de noite e não é em prostituição – pra fazer menos barulho e que uma respirada mais forte eu acordo e não durmo mais. E essa moçada, eles saem de segunda a segunda. Quando me convidam, minhas pernas até começam a tremer. Olho pro meu primo e penso: puxa, eu já fui bom assim. Que delícia essa época. Será que abusei tanto nesses 7 anos. Meu primo só tem 21 anos, de pura virilidade, empolgação e uma disposição que só de ver já fico cansado. Relaxa, você só não tem mais 20 anos, meu chapa. Nossa, estou indo pros 35. Socorro. Olha só, você ainda é jovem, gosta de rock’n roll, faz esportes radicais. Fazia, imbecil, fazia. Esqueceu que da última vez arrebentei o joelho? Ah, tinha me esquecido. Até que você ficou de muleta e depois de bengala um tempão, né? Rá, rá, é por isso que estão te chamando de vovozinho… e você achando que é por causa da idade. Não enche você também, vai. Hiiii, véio e ranzinza, é? Para com isso, não me chateie mais do que eu mesmo. Mas você está falando com você mesmo. É, eu sei, mas você poderia ser um pouco menos, como eu posso dizer… Sincero? É, sincero. Tudo bem, então o que você quer ouvir? Que está fazendo 35 anos e que… hei, quem disse que você vai fazer 35 anos? Ah, são 34 anos, mas são quase 35, né? Putz, se eu não fosse você, te enfiava a mão na cara. Ô loco! Não precisa ser assim tão sincero também, né? Cale a boca, escute aqui. Claro que escuto, não tem outro jeito mesmo de te ignorar. Fica o tempo todo me… Chega!!!!!! Ou você para com essa paranóia de que está ficando velho, ou vou te dar uma enxaqueca dos diabos. Tá bom, tá bom. Parei. Mas que eu adoro Frank Sinatra e vim trabalhar hoje escutando Luís Miguel, eu vim…. Ai!!!Alguém tem uma Neosaldina aí?
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Que presente?
Olha, só. Tem um texto que gosto muito de um livro chamado “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer” de Sogyal Rinponche, que é intitulado de “Autobiografia em 5 capítulos” que é assim:
1. Ando pela rua. Há um buraco fundo na calçada. Eu caio... Estou perdido... Sem esperança. Não é culpa minha. Leva uma eternidade para encontrar a saída.
2. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada.Mas finjo não vê-lo.Caio nele de novo. Não posso acreditar que estou no mesmo lugar. Mas não é culpa minha. Ainda assim leva um tempão para sair.
3. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Vejo que ele ali está. Ainda assim caio... É um hábito. Meus olhos se abrem. Sei onde estou. É minha culpa. Saio imediatamente.
4. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.
5. Ando por outra rua.”
Desculpa, mas a maioria das pessoas não sai do segundo capítulo. E teimam em “viver o presente” caindo nos mesmos buracos incessantemente. E o que é pior, culpam os outros por colocar o buraco ali. Fala sério. Enquanto a gente não parar para olhar para os buracos que carregamos dentro da gente, ninguém vai sair do lugar. E vai ser impossível viver qualquer coisa na sua plenitude, realmente.
Que presente?
Olha, só. Tem um texto que gosto muito de um livro chamado “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer” de Sogyal Rinponche, que é intitulado de “Autobiografia em 5 capítulos” que é assim:
1. Ando pela rua. Há um buraco fundo na calçada. Eu caio... Estou perdido... Sem esperança. Não é culpa minha. Leva uma eternidade para encontrar a saída.
2. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada.Mas finjo não vê-lo.Caio nele de novo. Não posso acreditar que estou no mesmo lugar. Mas não é culpa minha. Ainda assim leva um tempão para sair.
3. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Vejo que ele ali está. Ainda assim caio... É um hábito. Meus olhos se abrem. Sei onde estou. É minha culpa. Saio imediatamente.
4. Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.
5. Ando por outra rua.”
Desculpa, mas a maioria das pessoas não sai do segundo capítulo. E teimam em “viver o presente” caindo nos mesmos buracos incessantemente. E o que é pior, culpam os outros por colocar o buraco ali. Fala sério. Enquanto a gente não parar para olhar para os buracos que carregamos dentro da gente, ninguém vai sair do lugar. E vai ser impossível viver qualquer coisa na sua plenitude, realmente.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Bunda lelê.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Desarmonia
Corações embriagados.
Na cabeça
A certeza do inevitável
É agora
Para mim indiferença
Mais tarde percebi a sentença
E agora
Uma parte de mim diz para correr
Outra parte de mim diz para ficar
Quanto mais eu corro, mais eu fico
(Desarmonia)
O tempo passa acelerado
O coração segue o compasso
Tudo está certo. Tudo está errado
Quanto mais eu corro, mais eu fico
Eles dizem: o que é seu está guardado
Eu digo: se é meu por que estou separado?
Uma parte de mim diz para correr
Outra parte de mim diz para ficar
Quanto mais eu corro, mais eu fico
(Desarmonia)
Eu escuto: Não se preocupe, o que é seu está guardado. E o que tiver que ser teu será dado. Nem mais cedo nem mais tarde.
Agora
Não consigo compreender
Quanto mais eu corro mais eu me perco
Um amor tão perfeito
Vive nesse desconcerto.
Uma parte de mim diz para correr
Outra parte de mim diz para ficar
Quanto mais eu corro, mais eu fico
(Desarmonia)
Agora eu estou parado e continuo perdido!
Eu fecho meus olhos e deixo a vida mostrar a lição.
Uma eternidade inteira.
domingo, 5 de setembro de 2010
Tomara
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Playboy.
domingo, 1 de agosto de 2010
Me pega. (Alma Gêmea)
Pelo ponto mais fraco
Pelo canto mais drástico.
Joga-me, oh vida
Contra as paredes rochosas
Da discórdia sem folga.
Trága-me, oh vida,
A pureza indiscreta de uma alma incerta.
Bata-me, oh vida,
Na ferida da alma
Na essência da calma.
Livra-me, oh vida,
Do cume cinzento dos dias sem alento.
Abraça-me, oh vida,
Com desejos atentos desses vãos sentimentos.
Beija-me, oh vida,
Os lábios sedentos de outro lábio contento.
Possua-me, oh vida,
Do aroma celestial de um coração angelical.
Sufoca-me, oh vida,
De desejo carnal de um amor espiritual.
Honra-me, oh vida,
Do privilégio de tal,
Enaltecendo-me por igual.
Suplico-te, ó vida,
Em seu caminho encontrar
Uma alma como a minha para amar.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Me dá um abraço.
Ao som de http://www.myspace.com/olafurarnalds
terça-feira, 27 de julho de 2010
Então Fuma.
Sarcasticamente e um tando convencido, respondi certa vez, quando ainda fumava: Respeito? Quem fuma não respeita nem a si mesmo por fumar, quem diria aos outros. Rá-rá. Profundo não? Essa resposta bateu mais forte em mim do que na pessoa a quem respondi. A única coisa que bateu nela foi o bafo, mais nada. Mas em mim bateu tão fundo que até tossi.
Tudo bem, tudo bem. Nada que um susto não resolva, Deus me livre. Bati na madeira três vezes isolando qualquer possibilidade de algo desagradável acontecer. Porque de desagradável, basta o cigarro, né?
2) Faça uma mala bem grande, coloque no carro, escreva uma carta para os familiares dizendo que os ama muito e que ficará fora durante uns anos. Não esqueça das amantes.
3) Pare na primeira banca de jornal, compre um “Guia Montanhas Rochosas do Himalaia” ou Atalaia, sei lá, e siga em frente sem olhar para trás. Sem pensar em nada. Uma boa dica é fazer durante toda a viagem o mantra do indiozinho. Anote aí: “Um, dois, três indiozinhos. Quatro, cinco, seis indiozinhos. Sete, oito, nove indiozinhos. Todos no mesmo bote”. Sua cabeça vai querer encontrar alguma maneira de culpar ou falar mal de um dos indiozinhos por ter virado o bote ou coisa parecida. Mas não dê ouvidos. Se isso acontecer cante a dos “Sete Anões”, que não me lembro agora.
4) Chegando no pico da montanha mais alta que você encontrar, sua massa cinzenta vai virar uma pasta e depois uma rocha acinzentada. Fique aí o tempo que for necessário, até o momento em que seu corpo se encontrar totalmente adormecido pelo frio. Após este momento, seu cérebro já vai estar congelado e você vai entrar numa espécie de transe.
5) Pronto, você está curado para o resto da vida.
domingo, 25 de julho de 2010
Eu também.
Bem longe daqui, nos confins da grande metrópole, num barracão (que se apagássemos as luzes diriam que é abandonado), uma luz. Uma mulher com jeito de menina passa por mim tão rápido, mas que assim mesmo o tempo parecia passar em câmera lenta. Seus olhos brilhantes, seu sorriso maroto... o que aquele ser fazia num lugar como esse? Passei o resto da metade da noite entre batuques e olhares de várias mulheres que não os de mesmo brilho, nem sorriso. Onde estava? Continuei procurando, não mais com tanto afinco, mas meus olhos ligeiros mesmo sobre o efeito do álcool, procurava incessantemente. Finalmente eles acharam. Com uma "coragem" e determinação fui em direção daquela mulher como nunca havia tido na vida. Até porque, a timidez (ou será insegurança?) me impedem de tal iniciativa. Mas meus olhos tinham que ver o brilho dos olhos dela de novo. E bem de perto. Olhei, falei, sem saber o que falar, o encantamento era maior do que a razão. Meus olhos se fecharam e nossos lábios se tocaram com força e foi como se, no Saara, encontrasse uma garrafa d’água e bebesse sem derramar uma gota. Matei a sede de um carinho que quebrava qualquer barreira de tempo e de espaço. Como se o agora não existisse ou que o agora já tivesse acontecido. Não tem como explicar algo inexplicável. A energia ia além do beijo. Como se houvesse um acoplamento áurico perfeito entre a gente. E nem o ambiente, nem o álcool ou qualquer outra coisa parecia incomodar. Era puro. Era recíproco. Mas a vida nos dá alguns presentes e ao mesmo tempo ensina que ela é cheia de presentes, mas que, sua essência é a inconstância, a eterna transformação, mudança, passagem. Nos despedimos com o mesmo brilho nos olhos, só que intensificado. Sem palavras, que não conseguíamos descrever o ocorrido. Mas a dela selou o presente que qualquer homem como eu, descrente de amores puros, volta a crer. Ela olhou e disse: “eu também”.